A força contida nas palavras

Há alguns anos atrás eu tive a fecilidade de ler um livro sobre a história de um jovem, ou melhor, de um menino (criança entre oito e doze anos de idade) onde pude entender, em partes, o poder que existe naquilo que proclamamos com nossa boca: nossas palavras.

Embora a leitura tenha seu conteúdo voltado à espiritualidade católica, pois fala da vida de um de seus santos canonizado ainda menino (São Domingos Sávio), acredito ser muito pertinente à nossa realidade profissional devido a abordagem dada ao tema.

No episódio da vida do menino, ele se depara com um homem de idade mais avançada que está xingando um animal (um burro no caso). O menino interpela o senhor, convivando a repensar tal atitude de proclamar palavras baixas e ofensivas ao pobre animal, que estava empacado e já não saia mais do lugar. O livro não explicita quais foram as palavras, mas afirma que o jovem ficou escandalizado. Na exortação, Domingos faz o senhor refletir sob dois prismas principais:

1) Os palavrões são ofensas não só para quem as recebe, mas também ao próprio Jesus – o Cristo, pois o ato de dizer palavrões ou de blasfemar denota, mesmo que implicitamente, um desgosto, uma insatisfação na vida. Na visão do menino, tendo um Deus que se fez homem e deu a vida por toda a humanidade, já deveria ser o suficiente para sermos verdadeiramente felizes e levarmos uma vida sem reclamações, mesmo nas adversidades, na certeza que, em Deus, tudo pode ser superado ou mudado;

2) Os efeitos de proclamar palavras, sendo positivas ou negativas, que abençoam ou amaldiçoam, acabam, cedo ou tarde, voltando-se para que as diz. No episódio, quanto mais o homem xingava o animal, mais este ficava imóvel, não seguindo em frente, atrapalhando o dia de trabalho do homem.

O primeiro prisma possui um teor mais espiritual e foi, inclusive, mais enfatizado por Domingos. Embora eu acredite e considere ser salutar refletir sobre ele, creio que não cabe aqui explanar, pois vai depender da fé ou crença de cada um.

Já o segundo, penso que vale comentar um pouco, pois cabe em nossa realidade profissional, é quase uma lei física (a da ação e reação). Explico:

Muitas vezes trabalhamos de forma correta, cumprimos nossos horários, nos identificamos com a visão da empresa, seguimos os procedimentos estabelecidos a risca, documentamos o que é necessário, buscamos conhecimento e, mesmo assim, acontece algo inesperado: um problema, um cliente insatifeito, uma entrega não cumprida, uma falha, um produto não-conforme, a falta de reconhecimento, nos vemos parados sem sair do lugar. Isso acontece com você? Se sim, porque acha que isso acontece? Fazemos tudo, aparentemente, certo e no final o resultado é outro e, muita vezes para o pior, é negativo. Pergunto então: como está sendo nosso dia-a-dia? O que temos conversado? O que tem saído de nossa boca? Temos reclamado mais que falar bem? Temos xingado mais que dizer palavras suaves? Temos humilhado mais que elogiar? Temos falado mais pelas costas que dizer frente-a-frente? Temos mentido mais que dizer a verdade? Dependendo das respostas podemos entender, seguindo este tão simples e puro raciocínio do menino Domingos, a realidade dos resultados a nossa volta.

Se aquele senhor tomasse aquele burrinho pelas rédeas de forma suave, o acariciasse, tentasse conduzi-lo sem xingá-lo, falando calmamente, talvez o animal o seguisse de bom grado e trabalhasse empenhado melhor que qualquer outro dia. Mas o senhor escolheu perder tempo xingando, reclamando e acabou colhendo, até aquele momento do dia, a perda do trabalho que lhe daria parte do sustento para sua família.

Diz o ditado: “colhemos o que plantamos”. Se nossas palavras forem boas, positivas, de bênçãos, significa que encaramos de forma otimista a nossa vida, que somos gratos por ela. Neste contexto, no nosso trabalho, nossa mente e, consequentemente, nossas ações serão tranquilas, estaremos mais focados. E, ao contrário, se nossas palavras possuem um teor negativo, de murmúrios, de reclamações, nossa mente estará tão envolvida, que nos fará perder o foco. Assim, mesmo que façamos tudo certinho e, aparentemente, concentrados, seguindo todos os protocolos, aquele pequeno detalhe passará desapercebido e colheremos o resultado negativamente inesperado.,

Apesar do exemplo simples e sem apoio em bases psicológicas, o que quero dizer que aprendi com a lição de Domingos Sávio é que acabamos atraíndo para nós os mesmos efeitos – sejam positivos ou negativos – do que proclamos. Afinal de contas, nossa boca apenas fala aquilo que está contido dentro de nós. Vale a pena refletir e, sendo necessário, mudar o que está em nós. Nosso ambiente profissional precisa ser e estar cada vez mais contagiado por palavras de bênçãos, para sermos abençoados em nossos trabalhos!

Espero ter contribuído de forma positiva na sua vida.

Obrigado pela paciência e até o próximo artigo.

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